Cantor paulista dá a volta por cima com álbum conciso, maduro e intenso

SALVADOR SEGUNDA-FEIRA 17/12/2012
Cantor paulista dá a volta por
cima com álbum conciso, maduro e intenso
Mais equilibrado,
Nasi lança seu
melhor CD solo
desde o Ira!
CHICO CASTRO JR.
Uma das personalidades mais
fortes do rock brasileiro desde
sempre, Nasitemlonga folhade
serviços prestados ao gênero
desde os tempos do Ira!. Com
seu novo CD solo, Perigoso (TramaVirtual
/ Coqueiro Verde), se
mostra tão relevante hoje quanto
nos saudosos Dias de Luta.
Gravado em apenas um mês
nos estúdios da gravadora Trama,
o álbum foi lançado em CD
pelo selo Coqueiro Verde. Conciso,
traz dez faixas.
“Esse projeto da Trama Virtual
é muito legal. Ela dá ao
artista um mês de estúdio, sendo
que você passa parte do tempomonitoradoaovivopelofãs”,
conta Nasi, por telefone.
“Ummês não é muito tempo,
mas também não é pouco. Então
esse esquema fez com as
gravações rolassem com bastante
intensidade e crueza. O
som é o de um disco de banda
ao vivo”, acredita o cantor.
Metade do repertório é de
faixas inéditas, parceriasdopróprio
cantor com seus músicos
Johnny Boy (vários instrumentos)
eNivaldoCampopiano(guitarra),
além do letrista Carlos
Careqa, na linda balada Não Vejo
Mais Nada de Você. A outra
metade é de releituras.
As cinco são pérolas mais ou
menos conhecidas, como As Minas
do Rei Salomão (Raul Seixas
e Paulo Coelho), Não Há DinheiroquePague(
Renato Barros, hit
navozdeRobertoCarlos),Como
É Que Vou Poder Viver Tão Triste
(Demetrius), Tudo Bem (Garotas
Suecas) e Dois Animais na
Selva Suja da Rua (Taiguara).
“Essas faixas são coisas que
passei muito tempo escutando
até chegar a esta seleção. Primeiro,
fiz uma lista com vinte
candidatas. Depois, dez. Finalmente,
cheguei nessas cinco”,
conta Nasi.
“Na verdade, o projeto original
era lançar este disco com
minha autobiografia (A Ira de
Nasi, Ed. Belas Letras, lançado
em setembro), Inclusive, o livro
e o disco tem a mesma foto de
capa”, acrescenta.
“Mas quando o livro saiu, eu
ainda estava terminando as letras,
que acabaram saindo com
umtombemconfessional. A autobiografia
deu essa atmosfera.
Ele poderia ser ouvido como
uma trilha para o livro”, vê.
Macaco velho, dono de talento
inegável, Nasi conseguiu
um feito e tanto em Perigoso ao
conseguir estabelecer um equilíbrio
entre seu repertório autoral
e standards de Raul, da
Jovem Guarda e Taiguara.
Passa-se deumafaixa a outra
com leveza e fluidez numa audição
bastante agradável, sem
abrir mão da visceralidade que
é a marca registrada de Nasi.
“O (Marcelo) Sussekind (produtor,
ex-Herva Doce) uma vez
disse que disco a gente não acaba.
A gente desiste”, ri Nasi.
“Sempre tem um detalhe,
uma filigrana, mas sim, o disco
está intenso e resume bem minha
música hoje”, acredita.
Tempo de vinil e oração
Ele, que sempre foi da marca de
roqueiro “direto ao ponto”, fez
questão de refletir essa atitude
na própria duração do álbum,
com menos de 40 minutos no
total. “Investi no tempo do vinil.
Na época, trabalhávamos com
tempo limitado. Era vinte minutos
por lado”, lembra.
“Com os CDs, veio uma pressão
para fazer discos com14, 16
faixas.Antigamente, pré-produzia-
se 15 ou 16 músicas e escolhíamos
dez. Com o CD, diluiu-
se muito o resultado final,
por que a verdade é que nem
tudo o que se compõe vale a
pena ser gravado”, admite.
Surpreendentemente, uma
das melhores faixas autorais,
Ori, é uma oração. É que Nasi é
iniciado no culto de Ifá pelo sociólogo
nigeriano Babá King.
“Ori é, literalmente, ‘cabeça’,
mas no orixá é a divindade pessoal
da cada um, o eu superior.
Fiz a letra baseado numa interpretação
dos versos de Ifá que
consultei no acervo do Mestre
King, sociólogo da Usp que desenvolveumculto
tradicional de
orixá”, conclui

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Sobre nasioficial

Nasi nasceu Marcos Valadão Rodolfo em 23 de janeiro de 1962 em São Paulo, no bairro da Bela Vista. Filho de Airton Valadão Rodolfo e Egya Scarlato Rodolfo tem um irmão: Airton Valadão Rodolfo Junior (empresário do Ira! desde 1989). Funda em outubro de 1981 o grupo de rock Ira! com o colega de secundário Edgard Scandurra (guitarra) e com o amigo Adilson Fajardo (baixo) para participar do I Festival Punk da PUC. A banda prossegue após show de estréia e Nasi larga a Faculdade de História na Universidade de São Paulo. Em 1983 assina com Ira! contrato com a Warner onde grava, inicialmente, compacto com “Pobre Paulista” e “Gritos na Multidão”. Paralelamente assume a voz do grupo paulistano Voluntários da Pátria onde estréia em LP homônimo, primeiro e único dessa cultuada banda de Art-Rock aonde permanece até o final de 1984. Em 1985 grava o primeiro álbum do Ira! “Mudança de Comportamento” onde segue carreira até os dias de hoje. A partir de 1986 envolveu-se com a cena primordial do rap nacional e no ano seguinte é um dos produtores de “Cultura de Rua” pela Eldorado, primeiro álbum do hip hop brasileiro. Ainda como produtor assina, na seqüência, os primeiros álbuns da dupla Thaíde e DJ Hum (“Pergunte a Quem Conhece” e “Hip Hop na Veia”). Em 1991, após uma série de shows com o Ira! nos EUA, funda a trupe Nasi e os Irmãos do Blues que passaria nas jams sessions no circuito noturno paulistano para uma carreira solo discográfica: 1994: “Uma Noite com Nasi e os Irmãos do Blues; 1996: “Os Brutos Também Amam”; 2000: “O Rei da Cocada Preta”. Durante esses 15 anos, paralelamente ao Ira!, escreve com destaque seu nome no cenário do blues nacional participando de todos os festivais internacionais no Brasil tocando ao lado de lendas do gênero como Pinetop Perkins, Mat “Guitar” Murphy, Roomfull of Blues, Magic Slim, John Hammond, Wilson Picket e outros. Em 2006, após encerrar a bem sucedida turnê do Acústico MTV Ira!, lança o elogiadíssimo “Onde os Anjos Não Ousam Pisar”. Auto – produção sem a grife Irmãos do Blues, que reúne vários convidados e outros gêneros musicais como Rap, Rock, Soul, e Baladas. Solteiro, pai de duas filhas, Nasi mora em São Paulo no bairro do Butantã, é São-Paulino e desenvolve programa de rádio que mistura música e futebol. Nasi posou na seção Eu Queria Ser... da revista MTV, em 2003, como o X-Men Wolverine. Gostou do visual e resolveu adotá-lo, o que lhe rendeu o apelido "Wolverine Valadão" no campeonato Rockgol, além de posar como o personagem na capa de seu recente álbum solo. Em setembro de 2007, depois de brigas com seu irmão e empresário, Airton Rodolfo Junior, e com os demais integrantes do grupo Nasi acabou saindo do Ira! o que acabou levando ao término da banda. Nasi se tornou personagem de desenho animado e foi o protagonista da série "Rockstar Ghost", transmitida pela MTV Brasil. A série conta a história de um caçador de fantasmas, que trabalha na repartição pública AFFFE (Agência Federal de Fiscalização de Fenômenos Espectroplasmáticos), especializada em capturar celebridades musicais já mortas. Os mortos voltam à vida, quando um disco seu é tocado ao contrário. Nasi atuou no filme "Sem Fio" dirigido por Tiaraju Aronovich, no longa-metragem, ele vive o protagonista Castro, viciado em cocaína que é casado com Marisa, uma mulher insatisfeita e entediada com sua rotina de trabalho. Durante uma festa de pré-lançamento do filme Nasi apresentou sua nova banda: Júnior Moreno na bateria, Nivaldo Campobiano na guitarra, André Youssef no teclado e Johnny Boy no baixo. Links: Site oficial: www.nasioficial.com.br
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