A história do Wolverine do rock nacional

A história do Wolverine do rock nacional

Os anos 1980 abrigaram o maior surgimento de bandas da música nacional. O rock foi o maior beneficiado nessa fase e diversas de suas vertentes tiveram nomes novos. Em São Paulo, o quarteto Ira! iniciou com forte influência do punk. Formada por Nasi (vocal), Edgard Scandurra (guitarra), Ricardo Gaspa (baixo) e André Jung (bateria), até seu fim, em 2007, a banda mesclou diferentes influências, de eletrônico ao rap. Em A ira de Nasi, a história pessoal do vocalista é mesclada, como não poderia deixar de ser, com a trajetória da banda. Um pouco do que o livro traz será debatido hoje em um bate-papo na Feira do Livro, a partir das 18h.
“Existia uma ideia para uma biografia da banda. O Alexandre Petillo recolheu muito material para isso mas, com o fim do Ira!, o projeto foi abandonado. A proposta de uma biografia minha veio da Belas Letras, que já publicou os livros do (Humberto) Gessinger e do Ultraje a Rigor. Como eu acho que já passou muita água sob a minha ponte, topei. O Mauro Beting se aprofundou mais na minha história e o Petillo entrou com o material que ele já tinha sobre a banda”, explica o músico Marcos Valadão, o Nasi.
No livro, o vocalista conta que o primeiro lugar onde o Ira! despontou, com a música Núcleo Base do primeiro disco do quarteto, Mudança de Comportamento, de 1985, foi no Rio Grande do Sul. Além de aplausos, nos pampas o grupo também encontrou canções. Dois grandes nomes do cenário gaúcho foram gravados pelo grupo: Júpiter Maçã (Flavio Basso), autor da canção Miss Lexotan 6mg, e Wander Wildner, autor de Bebendo Vinho.
“Eu sempre acompanhei o trabalho feito aí, trouxe essas influências pro Ira!. Conheci o Frank Jorge não apenas como músico, mas também como jornalista. Os gaúchos também têm uma identificação com o blues, é inevitável que eu tenha essa identificação com o cenário gaúcho”.
Anunciada como uma biografia polêmica, A ira de Nasi traz histórias nunca divulgadas na mídia, como as angústias que o vocalista passou ao lado da namorada Maysa, e expõe em maiores detalhes a separação do Ira! e a briga com o irmão Júnior. “Falei sobre coisas que nunca tinham sido ditas, que nunca foram esclarecidas”, justifica.
Um dos temas abordados no livro é o culto do músico aos Orixás. De acordo com Nasi, ninguém pode ser perfeito, mas pode melhorar e é isso que os Orixás estão fazendo com ele: ajudando-o a ser uma pessoa melhor. Foram eles os responsáveis pela reaproximação de Nasi com o pai e o irmão. Sobre Edgard Scandurra e André Jung, de quem ele ainda guarda mágoas, Nasi diz não ter intenção de iniciar uma reaproximação.
“Não estou fechado para iniciativa deles, mas não sou eu quem deve explicações. Quando queriam me interditar, eles não ficaram do meu lado, pelo contrário. Se um dia o André e o Edgard vierem me explicar porquê ficaram contra mim, eu estarei pronto a ouvir o que eles tem a dizer”, garante o músico.
Atualmente, Nasi segue com seu trabalho junto aos Irmãos do Blues e com sua carreira solo. Em alguns dias seu novo álbum, Perigoso, deve ser disponibilizado na internet. O CD físico chega apenas em novembro. “É um álbum que mescla rock, blues e folk.”
Em Caxias do Sul ele participa hoje, às 18h, de bate-papo na Feira do Livro. Na quinta ele raliza um pocket show no Shopping Iguatemi, a partir das 19h30. A entrada é franca.

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Sobre nasioficial

Nasi nasceu Marcos Valadão Rodolfo em 23 de janeiro de 1962 em São Paulo, no bairro da Bela Vista. Filho de Airton Valadão Rodolfo e Egya Scarlato Rodolfo tem um irmão: Airton Valadão Rodolfo Junior (empresário do Ira! desde 1989). Funda em outubro de 1981 o grupo de rock Ira! com o colega de secundário Edgard Scandurra (guitarra) e com o amigo Adilson Fajardo (baixo) para participar do I Festival Punk da PUC. A banda prossegue após show de estréia e Nasi larga a Faculdade de História na Universidade de São Paulo. Em 1983 assina com Ira! contrato com a Warner onde grava, inicialmente, compacto com “Pobre Paulista” e “Gritos na Multidão”. Paralelamente assume a voz do grupo paulistano Voluntários da Pátria onde estréia em LP homônimo, primeiro e único dessa cultuada banda de Art-Rock aonde permanece até o final de 1984. Em 1985 grava o primeiro álbum do Ira! “Mudança de Comportamento” onde segue carreira até os dias de hoje. A partir de 1986 envolveu-se com a cena primordial do rap nacional e no ano seguinte é um dos produtores de “Cultura de Rua” pela Eldorado, primeiro álbum do hip hop brasileiro. Ainda como produtor assina, na seqüência, os primeiros álbuns da dupla Thaíde e DJ Hum (“Pergunte a Quem Conhece” e “Hip Hop na Veia”). Em 1991, após uma série de shows com o Ira! nos EUA, funda a trupe Nasi e os Irmãos do Blues que passaria nas jams sessions no circuito noturno paulistano para uma carreira solo discográfica: 1994: “Uma Noite com Nasi e os Irmãos do Blues; 1996: “Os Brutos Também Amam”; 2000: “O Rei da Cocada Preta”. Durante esses 15 anos, paralelamente ao Ira!, escreve com destaque seu nome no cenário do blues nacional participando de todos os festivais internacionais no Brasil tocando ao lado de lendas do gênero como Pinetop Perkins, Mat “Guitar” Murphy, Roomfull of Blues, Magic Slim, John Hammond, Wilson Picket e outros. Em 2006, após encerrar a bem sucedida turnê do Acústico MTV Ira!, lança o elogiadíssimo “Onde os Anjos Não Ousam Pisar”. Auto – produção sem a grife Irmãos do Blues, que reúne vários convidados e outros gêneros musicais como Rap, Rock, Soul, e Baladas. Solteiro, pai de duas filhas, Nasi mora em São Paulo no bairro do Butantã, é São-Paulino e desenvolve programa de rádio que mistura música e futebol. Nasi posou na seção Eu Queria Ser... da revista MTV, em 2003, como o X-Men Wolverine. Gostou do visual e resolveu adotá-lo, o que lhe rendeu o apelido "Wolverine Valadão" no campeonato Rockgol, além de posar como o personagem na capa de seu recente álbum solo. Em setembro de 2007, depois de brigas com seu irmão e empresário, Airton Rodolfo Junior, e com os demais integrantes do grupo Nasi acabou saindo do Ira! o que acabou levando ao término da banda. Nasi se tornou personagem de desenho animado e foi o protagonista da série "Rockstar Ghost", transmitida pela MTV Brasil. A série conta a história de um caçador de fantasmas, que trabalha na repartição pública AFFFE (Agência Federal de Fiscalização de Fenômenos Espectroplasmáticos), especializada em capturar celebridades musicais já mortas. Os mortos voltam à vida, quando um disco seu é tocado ao contrário. Nasi atuou no filme "Sem Fio" dirigido por Tiaraju Aronovich, no longa-metragem, ele vive o protagonista Castro, viciado em cocaína que é casado com Marisa, uma mulher insatisfeita e entediada com sua rotina de trabalho. Durante uma festa de pré-lançamento do filme Nasi apresentou sua nova banda: Júnior Moreno na bateria, Nivaldo Campobiano na guitarra, André Youssef no teclado e Johnny Boy no baixo. Links: Site oficial: www.nasioficial.com.br
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